sábado, 6 de março de 2010

Mulher!

Oito de março, dia internacional da mulher. Notório!!! A sociedade comemora esta data, mas isso é tão contraditório. Uma sociedade que oprime tanto e cria uma data para homenagear o seu objeto de opressão.
Meu olhar hoje está voltado para a mídia (mais uma vez!). Quando estou em casa, assisto à novela das oito (caso contrário, fico trancada no quarto sem convivência familiar) e começo a observar os dramas de suas protagonistas e coadjuvantes. Mulheres que inicialmente mostram sua independência, compatível à teórica imagem da mulher do século XXI, mas que ao decorrer dos capítulos assistimos à velha mulher insegura, traída e refém do corpo perfeito, personagem que nunca sai dos roteiros.
Uma tenta sustentar o casamento a todo custo, a outra só não se entrega as investidas do galanteador por não ter certeza da infidelidade de seu esposo, tem outra também que se permite ser objeto sexual enquanto a esposa de seu amante não percebe. Elas são as protagonistas de todo o sofrimento e culpa da trama.
A visão da mulher submissa, dependente, presa às amarras de uma ideologia machista estão o tempo todo presentes ao longo da novela que apresentava, inicialmente, uma outra imagem da mulher.
Ficamos na vontade de assistir um folhetim que encare o controle de massa. O que nos é ofertado nas emissoras de canal aberto é a exploração da mulher através de seu esteriótipo com personagens sofridas e com a única meta que significa plena realização: o casamento.
Concluo este desabafo certa de que ainda há um longo caminho para as mudanças dessas idéias arcaicas sobre a mulher. Espero que a visão crítica sobre essas encenações do progresso sejam cada vez mais frequentes.

Uma Humana

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