Como essa ideologia nos amarra... Cada dia me espanto mais. Controle das massas e lucro. É só isso o que importa! Li um trecho de um texto do filósofo Pierre Bourdieu, no qual ele explana sobre as relações de hierarquias. Ele aponta que as classes inferiores só existem porque aceitam a ideologia de uma classe dominante.
Eu, na minha insignificância, contesto essa afirmação. A atual sociedade em que nos encontramos enraizou suas relações de classes. A ditadura do proletariado defendida por Marx dificilmente ocorrerá. Esta burguesia fará de tudo para que não ocorra o verdadeiro colapso. Nada pode sair do controle. Tudo pode ser moldado. É essa a lógica. Não temos como escapar. Nos é imposto um círculo hermético onde o social é limitado.
Uma outra reflexão minha relacionada ao tema é sobre a nossa necessidade de acreditar. Acreditar em que? Em qualquer coisa, principalmente no que nos é favorável. É tão simples acreditar. Você não precisa fazer nada. Só esperar e tudo pode acontecer.
Acreditar retira toda a nossa responsabilidade e culpa. Se eu acredito e não acontece, foi porque não era a hora certa; Foi melhor assim. Agora, se acontece, valeu a pena acreditar.
Fazer acontecer é difícil. Concordo que nem tudo, ou melhor, nada está sob o nosso controle, mas acreditar é tão forte, tão estimulante, tão confortável que contrói no homem a sensação de não ter limites. O ser mais importante do planeta, digo, do universo. Egocentrismo em plena atividade.
É difícil acreditar que somos consequência do acaso. Incomoda, né? Não faria sentido à ideologia. Como propor ao humano que tudo o que ele faz não tem sentido transcendente? Realmente, construir tudo o que queremos ouvir é mais fácil e nos faz suportar.
Independente de querer ou não esta idologia para viver, sou escrava dela. O máximo do sopro de liberdade que possuo é quando consigo me abstrair das alienações e divagar pelos meus pensamentos utópicos.
Talvez, acreditar e aceitar, como diz Bourdieu, seja a melhor forma que a sociedade encontrou para não enlouquecer. Ou ainda, vivermos loucos e alienados, mas controlados.
Uma Humana
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