terça-feira, 28 de abril de 2009

O sensacionalismo barato da tv


Semana passada notei que um tema era frequente entre os telejornais de algumas emissoras (fácil de se compreender, um rouba a matéria do outro dizendo que é uma cobertura inédita). Falava-se sobre a "Cracolândia", o uso de crack e de outras drogas ilícitas na Favela do Jacarezinho.

Certamente as autoridades competentes devem cumprir com o seu papel de mantenedoras da ordem pública, mas me pergunto: só existe uma "Cracolândia"? A "Polândia" e a "Maconholândia" já tem filiais, né?

O que me deixa ainda mais intrigada é o sensacionalismo gerado diante do assunto. Repórteres de várias emissoras entrevistam menores de idade. Mostram o consumo da droga feito por eles no meio da rua. Nossa!!! Aos olhos de todos!!! O certo é fazer o uso cercado por grades e seguranças em luxuosos condomínios residenciais?

"Ah! Só morador de rua faz uso de drogas." Fica difícil para uma equipe de reportagem filmar um "playboy" se drogando em Ipanema na "night" porque pode ser o filho do patrão ou de um político. Os males da cidade ficam além túnel (subúrbio e adjacências).

E ainda paro para refletir: "Se eu deixar de dar uma esmola ao pedinte será que poderei contribuir para uma pedra a menos de crack vendida na cidade? Mas será que eu sei onde o meu filho gasta todo o dinheiro da mesada"? A nossa responsabilidade começa em casa. Caso contrário, só vou perceber que o monstro que espanca empregadas domésticas achando que era prostituta mora debaixo do meu nariz.

Longe de mim fazer qualquer apologia ou discriminação, só penso que tudo que fazemos gera consequências e por isso, a responsabilidade se faz necessária. Agora, fazer uma reportagem barata em cima de menores viciados é certeza de perplexidade da massa alienada e a garantia de não comprar briga com um papai de alto escalão preocupado com a estampa dos filhos no noticiário da tv.
Bom, fica minha crítica sobre o assunto.


Uma Humana

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